Palestras públicas e o problema com plurais

   São Paulo é uma cidade maravilhosa, a Avenida Paulista então é o melhor lugar para se passear quando não se tem nada melhor para fazer, provavelmente é por isso que ela está sempre tão cheia. As pessoas, as lojas, os prédios, tudo é maravilhosamente grande, tudo é maravilhosamente lindo… 
   É normal após certo tempo, passando todos os dias por um lugar, começar a ignorar o que acontece em sua volta, mas nessa Avenida isso não é possível; artistas, músicos, palhaços e até mendigos com alguns parafusos a menos divertindo (assustando) os transeuntes. Também é possível comprar diversas coisas que você não precisa dos vendedores de artes manuais, sejam elas esculturas feitas com fios de cobre ou desenhos pintados na hora com auxilio de espreis (Sprays para quem é mais “cool”) de tinta.

   Outra coisa que me impressiona na Paulista é a capacidade de abrigar tantas manifestações em tão pouco tempo. Se alguém, algum dia, se virar e te falar – Está sabendo? Tiveram duas manifestações hoje na Paulista! – responda logo em seguida com um ar de desânimo – Então parece que hoje foi um dia parado por lá! (ou – Bah! Parece que hoje por la tava mais parado do que água de poço, tchê! – se você for gaúcho). Voltando ao assunto, existem uma quantidade considerável de manifestações publicas nessa Avenida, e nem sempre são as mesmas, na verdade se diferem muito desde ideologias até a quantidade de manifestantes (e o tamanho das roupas que estão vestindo). Apesar das diferenças ideológicas, quase todas tem algo em comum, uma pessoa utilizando algum equipamento para amplificar o som da sua voz e dizendo palavras de impacto sem a utilização de plurais.
   Frases como “Nós precisamo”, “Eles não liga pra gente” e até uma muito utilizada “Vamo nos manifestar”, são comumente ouvidas por qualquer um que esteja transitando em um local próximo. 
   Sempre quando vejo algo do tipo fico pensando, será essas pessoas falam assim no seu dia a dia? Ou seria possível que tivessem lido algo do tipo “Como atrair massas para sua manifestações utilizando uma linguagem simples e desprovida de concordância verbal” ou “10 passos para convencer as pessoas sem utilizar plural”. 
   Seja como for esse é mais um dos vários mistérios que rondam a vida do paulistano. Se alguém tiver alguma ideia do porque, por favor me envie um e-mail.
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