O terror claustrofóbico do transporte coletivo no inverno

   Alguma vez você já pensou em ser enterrado vivo? Deve ser uma experiência assustadora, provavelmente qualquer um em sã consciência evitaria a todo custo, a não ser que você for um mágico e quer provar alguma coisa (geralmente que você tem sérios problemas mentais). Lembro de um filme que marcou minha infância “Sepultado Vivo” em que um homem é drogado e enterrado vivo por sua esposa e o amante dela que é um doutor. Eles acham que mataram ele de overdose e o enterram em uma caixa de madeira. Quando acorda ele vê que está sufocando, ele consegue sair do caixão e se vingar, mas não sei porque estou entrando nessa história nem queria falar tanto sobre isso.

   O que realmente queria dizer é que: – não conheço a sensação de ser enterrado vivo, mas imagino que a situação mais próxima que cheguei disso foi andar em um ônibus circular na cidade de São Paulo, capital. Você talvez só ande de carro, ou talvez pegue sempre o trem ou metro, então pode não saber do que estou falando.
   Vamos ao drama… Em um dia frio você já acorda em baixo das cobertas, sem vontade de se mexer, achando que apenas o fato de ir ao banheiro (por mais apertado que você esteja) será uma via-crúcis,. Com toda a vontade do seu ser, encontra forças para queimar seu cosmos de uma maneira que Seya teria inveja, se levanta e coloca aquela grossa camada de roupa em volta do seu corpo. Parecendo um rocambole humano, sai da sua casa, e sente o vento castigando seu rosto desprotegido, mesmo assim, luta contra ele com todas as suas forças, no caminho até o ponto de ônibus mais perto
   Ao chegar lá, é possível ver varias outras pessoas que passaram pelo mesma rotina de sacrifício matinal e estão lá para disputar um espaço com você onde bate menos vento. Dai chega sua glamourosa carona, aquela lata de metal de proporções gigantescas por fora, mas que seu interior é bem menor do que você esperava, como uma TARDIS ao contrário (Para quem não sabe a TARDIS é uma caixa de policia por fora e imensa por dentro).
   Já dentro do ônibus, que em dias normais já é muito apertado, nos dias de inverno, com 10 cm a mais de pano em cada pessoa, para todos os lados, você já imagina a batalha que terá para se locomover la dentro, e  o pior, o aperto. Ai que vem um engrassadinho e diz: – Isso é bom, calor humano aquece as pessoas. – E isso de certa forma é verdade, se não fosse pelo fato de todas as janelas estarem fechadas… 
   Veja bem, quando você entra no ônibus, ele já esta lotado, porque você nunca… NUNCA… irá pegar um ônibus onde ele nasce, isso é impossível, as pessoas que geralmente embarcam primeiro no ônibus, estão desgostosas da vida, porque acordaram antes de você, e para se vingar não abrem as janelas. A sensação que se chega a ter em um lugar desse é a mesma de sair do polo norte e cair no meio do deserto, com camadas de roupas que você não pode tirar.
   Se você tem um pouco de sorte, alguém irá descer em um ponto próximo e você poderá sentar em seu lugar e abrir a janela o máximo que conseguir, angariando olhares zangados e ameaças de morte, vindo da parte das pessoas amargas de coração, que querem ver seus inimigos queimarem, e aplausos das pessoas que como você estavam sofrendo a maneira mais conhecida de ser sepultado vivo!
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