Dragões de Tinta – O Dragão e a Igreja

   Era dia de ano novo, ou melhor, era noite. A população de Sete Lagoas, comemorava a virada do ano saindo de suas casas e se juntando a enorme festa que acontecia nas ruas, milhares de pessoas vestidas de branco, passeavam, brindavam e dançavam pela alegria do ano vindouro, fazendo promessas e se lembrando de tudo o que fizeram durante o último ano. O som alto das casas de shows, os gritos de felicidade das pessoas e os estampidos gerados pelos fogos de artificio, que explodiam no alto, deixando um rastro luminoso que varria o céu com varias cores e formas, promoviam uma onda sonora tão intensa que obrigavam os cidadãos que queriam conversar a gritar uns para os outros, a fim de se fazerem ser entendidos, outras pessoas mais esclarecidas utilizavam de sinais simples para transmitir alguma mensagem ou fazer algum tipo de convite, porque realmente era impossível escutar algo em sua volta.

   Devido as festividades, as estradas que contornavam a cidade, onde geralmente os carros não paravam de passar, estavam extremamente desertas, os carros se encontravam estacionados em cada garagem, rua, viela ou beco da cidade, não haviam mais lugares para parar, muitas pessoas inclusive, chegaram horas antes, para conseguir um local mais próximo as shows que iriam acontecer a noite, pois convenhamos, não há quem deseje passar a virada do ano atrás de um volante.

   Em meio a multidão, apenas três homens se destacavam, pois estavam vestidos dos pés a cabeça com uma roupa preta e extravagante, andavam de uma forma engraçada. Por onde passavam, angariavam olhares tortuosos e comentários seguidos de sorrisos irônicos, mas se esses homens percebiam que eram alvo de zombaria, não aparentavam se importar.

dragonchurch   Os três, caminharam por toda a cidade, analisando os que ali estavam festando, mas alheios aos apelos de bebidas e diversão que aquela cidade lhes proporcionava, agiam de modo suspeito, entrando nos becos, verificando os carros, investigando lugares, tocando as coisas e por mais inacreditável que possa parecer, farejando. Não demorou, muito para que aquilo começasse a incomodar a população local e logo toda a cidade estava de olho nas ações desses homens, alguns mais assustados, saíram do local, na tentativa de localizar as autoridades e reportar o comportamento estranho desses homens.

   Quando finalmente alguns policiais decidiram escutar os cidadãos preocupados, os homens a muito já tinham ido embora, mas ninguém sabia para onde, o maior receio dos moradores locais era que eles estariam escondidos, em algum lugar da cidade, tramando algo para a virada do ano. Alguns cidadãos e policiais, reuniram um pequeno contingente de pessoas na praça Tiradentes, onde estavam reunidos a maior quantidade de pessoas para a virada, e começaram a organizar equipes de busca, compostas por policiais e civis, mas a ideia não se perdurou, pois logo que todos estavam reunidos na praça os gritos começaram, era a contagem regressiva para a passagem de ano e um enorme dragão negro acabara de pousar em uma das torres da Catedral de Santo Atonio.

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