Dragões de Tinta – O Cavaleiro e a Criança

Enquanto a festa ocorria, no sul da cidade, em uma estrada um pouco movimentada, que devido as festividades se encontrava deserta, em um lugar conhecido como a Gruta do Rei do Mato, um homem esperava impacientemente, olhando constantemente para o céu, carregando um enorme pacote, enrolado com um pano grosso e amarrado com tiras de couro.

– Ele está demorando demais, será que aconteceu alguma coisa? – disse uma mulher saindo de uma gruta iluminada por uma luz cor de rosa.

– Ele virá, tenho certeza! – respondeu o homem, sem tirar o olho do céu, que se tornava cada vez mais colorido com os fogos de artificio.

– Deveríamos ter ficado, ele não é como nós, ele é…

– Eu sei muito bem o que ele é e o que ele não é Esther! Mesmo assim confio nele.

– Mas o que vamos fazer com o menino? Ele é uma criança! – replicou a mulher.

– Ainda não sei, temos que continuar rumo ao norte, temos que dar uma chance a ele.

– Ricardo, como esse plano vai dar certo? Como ele vai tomar conta de um garoto sem um locador por perto?

– Eu vou ficar com eles! – respondeu secamente o homem. – Agora vá para dentro! Ele está chegando.

– Você não pode ir com ele! Você prometeu. – disse a mulher choramingando.

– Se quiser, pode vir conosco. Agora vá la dentro e pegue os suprimentos.

No céu era possível ver a silhueta contra a luz da lua, que a cada momento chegava mais perto. Seu contorno condizia com o que o homem esperava, um cavaleiro com sua armadura completa, montado em um alazão alado e carregando um pequeno pacote em seus braços. Quando pousou, Ricardo pegou o bebê, possibilitando o cavaleiro a descer de sua montaria.

– Obrigado meu lorde – disse o cavaleiro ao homem.

– Eu é que agradeço Sor Ron! Vamos para a gruta, já estamos prontos para partir.

– Raionegro, pode descansar e pastar aqui por perto, mas fique de olho a qualquer sinal de perigo!

O cavalo alado, fez um aceno com a cabeça e deu um breve relincho, como se tivesse entendido aquilo que o cavaleiro tinha dito. O homem e o cavaleiro seguiram para a entrada da gruta, onde Esther os esperava com algumas malas e sacolas com suprimentos.

– Temos que nos apressar, os rastreadores devem estar no nosso rastro. – disse Ricardo.

O cavalo alado chegou galopando até a entrada da gruta e relinchou empinando.

– Não estão, já nos encontraram. – corrigiu o cavaleiro – Minha Senhora, cuide bem da criança.

Ricardo começou a desembrulhar seu pacote, desfazendo o nó das correias de coro, revelando uma espada larga e um livro. O cavaleiro desembainhou sua espada e juntos saíram da gruta. Três homens, vestidos com uma roupagem negra apareceram, montados em enormes lobos e todos com livros abertos.

– Nos entregue a criança e o personagem, ninguém precisa se ferir. – gritou um dos homens.

– Vão embora, esqueçam a criança, esqueçam tudo e deem meia volta, se quiserem viver mais um dia – gritou ainda mais alto Ricardo.

Dois dos três homens começaram a ler, como se saíssem de dentro de seus livros, um troll de três metros apareceu do primeiro e do segundo saíram dois javalis gigantes. O cavaleiro assoviou e o cavalo alado apareceu diante dele, o levando para cima, Ricardo leu seu livro e tirou dele um gigantesco urso polar.

Os javalis e o Troll, se aproximaram ao mesmo tempo de Ricardo com seu urso, quando estavam muito perto, o cavaleiro se arremeteu do céu, como uma flecha e rasgou um dos javalis no meio com sua espada. O urso, pulou ensandecido sobre o segundo javali, e o encontro dos dois chegou a fazer o chão estremecer. Ricardo, desviou de um golpe desajeitado do troll, enfiando sua espada larga na panturrilha do monstro, fazendo correr um liquido preto e viscoso, enquanto isso o urso cravava suas garras dianteiras nas costas do javali que fazia um corte profundo em sua perna traseira com suas presas afiadas. O troll se virou para atacar novamente, Ricardo desviou da mão monstruosa e arremeteu sua espada para frente, perfurando a barriga do monstro, o urso tinha conseguido abocanhar o pescoço do javali com os dentes e agora, com a ajuda das patas dianteiras, o levantava do chão para um golpe final. Ricardo tentou recuperar sua arma, mas ela não saiu do estomago do monstro e ele teve que se afastar para não tomar um golpe do gigante, Sor Ron desceu mais uma vez do céu, dessa vez decepando a cabeça do monstro gigante, que por pouco não caiu em cima de Ricardo. Sor Ron, continuou sua trajetória e derrubou dois dos três lobos gigantes que levavam os homens vestidos de preto.

– Vocês não passam de meros rastreadores – bradou Ricardo – parem de nos atacar e deixarei vocês viverem, vão embora daqui, vocês não tem força para me vencer, eu sou o locador chefe da guarda imperial!

– Era! – ribombou uma voz como um trovão vinda do céu. – Você era, agora você é um homem morto, ninguém se opõe a mim, você já deveria saber disso Ricardo.

– Senhor! – Os três rastreadores se curvaram, enquanto um enorme dragão negro descia entre eles e Ricardo.

– Me de a criança Ricardo e pouparei sua vida! – Bradou o homem em cima do dragão.

– Nunca, eu protegerei ele com minha vida!

– Que assim seja! cavaleirodragao

O dragão abriu sua mandíbula ao máximo, expelindo uma enorme labareda azul, consumindo o locador, sua espada e seu livro.

– Esther! – Bradou mais uma vez o homem com voz de trovão – eu sei que está ai! Me entregue o menino e terá um destino diferente de seu marido.

A mulher saiu com a criança enrolada nos braços, olhou para a grama que fora chamuscada, onde a pouco estivera seu marido, estava com lagrimas nos olhos mas mesmo assim caminhava em direção ao homem montado no dragão.

– Não me mate, eu vou te entregar a criança, só não faça nenhum mal a ela, ela é só uma criança inocente.

– Isso não lhe diz mais respeito, vamos me entregue!

Quando a mulher estava muito próxima ao dragão, ouviu-se uma voz do alto.

– Não! – berrou o cavaleiro, descendo em um arco e arrancando a criança das mãos da mulher.

Quando o homem percebeu o ocorrido já era tarde demais, o cavaleiro já havia pegado a criança e estava longe.

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