Contos do Fim – A caminhada

    Em uma estrada deserta em algum lugar do planeta, um homem andava a deriva, correra tantos quilômetros que já não mais sabia se perseguia ou era perseguido.
    A questão toda lhe fugia a memoria – acho que estou sofrendo de insolação – pensou o homem, mas mesmo assim prosseguia com o sol escaldante sobre a cabeça, não podia se dar ao luxo de parar para descansar, tudo dependia dele agora e isso de certa forma era injusto. Não saíra sozinho de Sião, seus mais fieis companheiros saíram com ele em uma busca, desde o começo fadada ao fracasso, seu melhor amigo se fora primeiro, seguido por seu irmão, e assim um a um caíram sobre o veneno do demônio do deserto.
caminhada   A quanto tempo isso teria acontecido? Não era possível saber, o tempo não fluía mais em nenhum sentido, um dia podia ser cem anos e cem anos um minuto, mas nada disso importava, desde continuasse seguindo, teria que encontrar sozinho o começo e o fim, era seu dever agora, ele era o ultimo de seu clã e não podia parar, não podia falhar, deveria continuar atrás do demônio, ou fugindo dele. Essa era a direção, sempre a diante, sabia que um dia iria tombar, mas tombaria lutando, levava consigo seu revolver e sua espada e isso seria o bastante, teria de ser.
   Quando chegasse ao fim poderia voltar ao começo, essa era escritura, o lugar onde o começo e o fim se encontravam, onde tudo se faz e nada é permanente, sabia que estava próximo, essa era a unica explicação para a ambiguidade temporal. Só esperava que o garoto estivesse bem, afinal somente assim ele não seria o ultimo dos guerreiros.
   -Tic tac, tic tac – disse o demônio – o tempo ruge.
   O guerreiro sacou sua arma, mesmo sabendo ser inútil contra os poderes do demônio, disparou cinco vezes, todos acertaram o alvo mas nenhum dano surtiu, viu aquela face zombeteira tão conhecida, mas aquele que envergava o sorriso não era mas um ser conhecido – como ele pode chegar tão perto sem eu perceber? – se indagou, mas ele sabia, estava andando a tempo demais, seu corpo precisava de descanso, água e comida, estava se perdendo aos poucos, e o demônio se divertia a suas custas.
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